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Cidade e Marcos de Memória

10 de jan. de 2025
3 min de leitura

Toda cidade tem uma história e marcos de memórias que conectam o passado e o presente de indivíduos, de grupos sociais e da sociedade em geral. Os marcos de memória têm importância além do espaço físico e são de grande valor para a preservação da história de um lugar. Podem ser praças, escolas, monumentos, ruas, casas, edifícios e até mesmo placas de identificação.



Em São Paulo, ao longo da construção de sua planta, antes da existência do GPS ou de tecnologias como as que usamos hoje, eram espalhados diversos marcos da planta da cidade, usados como referência de localização.


Na foto abaixo é possível observar um deles, que fica no jardim de onde hoje é o Museu da Imigração - antigamente o espaço era uma hospedaria para imigrantes que vinham para o Brasil de navio, desciam no porto de Santos e chegavam de trem em São Paulo, na Mooca.



Você pode ver mais sobre os marcos da cidade de São Paulo no site da São Paulo Antiga, que faz um trabalho incrível de resgate e preservação de memórias. CLIQUE AQUI


Monumentos históricos são feitos para preservar memórias e marcar acontecimentos, ainda que muitas vezes representem apenas parte da história, principalmente quando se trata de monumentos que homenageiam pessoas do passado. É preciso sempre ter um olhar crítico e procurar saber mais sobre a história por trás de cada um deles e assim, contextualizar os monumentos conhecendo melhor os fatos históricos e suas causas e consequências.


Um exemplo é o Monumento às Bandeiras, obra de Victor Brecheret em homenagem aos Bandeirantes, inaugurada em 25 de janeiro de 1953. A obra fica na frente do Parque do Ibirapuera e representa as expedições bandeirantes, expondo portugueses nos cavalos assim como negros e indígenas empurrando uma canoa de monções, utilizadas nas expedições fluviais.


Problemática: A obra coloca os Bandeirantes como heróis, já que foram responsáveis pela expansão territorial e descoberta de riquezas porém, suas expedições envolveram a escravização, perseguição e morte de indígenas e negros, deixando um legado complexo na história do Brasil colonial. O monumento faz parte da história da cidade e deve servir para que possamos aprender mais sobre esse momento histórico, sempre com um olhar crítico.





Outras questões que surgiram nos últimos anos estão relacionadas ao excesso de homenagens à homens brancos, considerando o processo histórico do Brasil, que foi colonizado por homens brancos europeus, em comparação aos monumentos dedicados à outros grupos sociais como os de negros, indígenas e mulheres que também tiveram papel fundamental na formação do país:


Os movimentos recentes são parte de um processo de reparação histórica, como aconteceu na Inglaterra, por exemplo, onde a estátua da manifestante Jen Reid, do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) foi colocada no local ocupado anteriormente pela estátua do comerciante de escravos Edward Colston, em Bristol:


FOTO: Rebeca Naden para a REUTERS


No Brasil, um marco importante que foi restaurado recentemente é o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro. Ao longo de mais de 300 anos, o cais recebeu cerca de 1 milhão de africanos escravizados, fazendo do Rio de Janeiro, então capital de Portugal, a maior cidade escravagista da humanidade.


A recuperação desse espaço, um verdadeiro sítio arqueológico, marca esse momento histórico com o objetivo de provocar uma reflexão sobre a escravidão e a formação do nosso país com base no legado do povo negro. O Cais do Valongo é Patrimônio Mundial da UNESCO por ser o único vestígio material conhecido da chegada de africanos escravizados nas américas.




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