Migrações Internas no Brasil
A migração interna no Brasil teve seu maior fluxo entre os anos de 1960 e 1980, fase em que o país passava por um processo intenso de urbanização, com um grande deslocamento de pessoas do campo para as capitais.


No Brasil, muitas pessoas migraram internamente entre as décadas de 1930 e 1970, principalmente durante a construção de Brasília, no Distrito Federal. O projeto do então presidente Juscelino Kubitschek, no final dos anos 1950, levou muitas pessoas de outras regiões do país a se deslocarem até lá para trabalharem nas obras que edificarariam a nova capital do país - a capital do Brasil, na época, ainda era o Rio de Janeiro.
Em 1957 chegaram ao local da futura capital os primeiros migrantes, para trabalhar na Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e de acordo com o Censo daquele ano, os primeiros 256 migrantes vieram do Norte e Nordeste. Ficaram conhecidos como CANDANGOS, que atraídos pela possibilidade de um novo começo, saíam de sua terra natal com uma mala e pouquíssimo dinheiro, alguns só com a roupa do corpo, viajando por dias nas carrocerias dos caminhões, chamados de PAU DE ARARA. A viagem era difícil e longa, semanas em trânsito pelas estradas precárias que os levavam até o lugar marcado para a construção da cidade, que na época era só mato e poeira.



FONTE: Memorial da Democracia
Grande parte da MIGRAÇÃO INTERNA no Brasil acontece entre regiões e, nesse período, tivemos um fluxo migratório muito intenso entre NORDESTE e SUDESTE, já que o desemprego, a seca e a dificuldade de cultivar a terra tornavam a vida do nordestino muito difícil.
FLUXO MIGRATÓRIO é o movimento dos migrantes entre origem e destino, onde o destino costuma ser uma região mais atrativa. É uma "rota" comum. Os fluxos migratórios fazem parte do processo de globalização, pois com o deslocamento de pessoas acontece também o deslocamento de informações culturais, econômicas, sociais e políticas.
Durante o processo de industrialização pelo qual o SUDESTE passava entre as décadas de 1950 e 1970, grande parte dos migrantes também foram para São Paulo, que oferecia muitas oportunidades na indústria, assim como no comércio e no ramo da construção.
A MIGRAÇÃO NO BRASIL ainda é maior entre o nordeste e sudeste, mas existem diferentes fluxos migratórios em todas as regiões, como vemos na imagem abaixo:

Atualmente, o processo de migração não é tão intenso quanto no período de urbanização do Brasil. Durante a pandemia, com um número grande de desempregados, muitos buscaram no interior novas oportunidades, mas não foi algo tão expressivo, conforme Paulo Feldmann, Professor de Economia da FEA, na USP. Ele destaca que “é mais natural as pessoas virem do interior para as capitais. É muito raro as pessoas saírem das capitais em direção ao interior.”


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